A confiança é a funcionalidade que nenhum assistente de compras consegue fingir

· Nikita Ovsiannikov, equipa Clottr

Andamos a construir o assistente de compras «Devo comprar?» do Clottr há algum tempo. A lição que aprendi: a funcionalidade número um é a confiança.

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Não estamos a construir o primeiro assistente de compras de moda do mercado. Antes de nós vieram muitos: comparações de preços instantâneas, caçadores de promoções, análises com IA, verificações para saber se uma peça resulta no teu corpo, compatibilidade de estilo e muitas, muitas outras ideias. Mas o que realmente importa, o ponto decisivo, não é a forma como o assistente te pode ajudar. É saberes se podes CONFIAR nele.

Quem andou pela internet no último ano viu certamente a subida vertiginosa do assistente de compras Phia (tiro-lhes o chapéu, é mesmo impressionante). Para quem não conhece: a Phia é uma extensão de navegador e uma app que verifica se a peça que estás a ver (sobretudo moda) está à venda noutro sítio da internet, e a que preço. Consegues encontrá-la mais barata? Há alguma promoção? É uma app muito útil, rápida e bonita. Mas, por mais inteligentes que sejam as funcionalidades, um assistente em quem não podes confiar não é um bom assistente.

Os riscos para a privacidade

Hoje em dia, instalar uma extensão de navegador é facílimo, e muita gente confia nela tanto como nas apps do telemóvel. A Google (dona da loja do Chrome) analisa as extensões, e o código delas é aberto, por isso qualquer pessoa o pode consultar. Mas há uma diferença enorme, e é ela que decide tudo. Por definição, o trabalho de uma extensão de navegador é ler e alterar o conteúdo do site que estás a ver. É muito mais poder do que o das apps móveis, que só têm acesso aos próprios dados e (salvo raras exceções) não conseguem ver nada fora da app. Isto cria alguns riscos:

Ler o que não queres

Sabias que muitas extensões de navegador pedem acesso TOTAL a todos os sites que visitas? Lembras-te do pedido de permissão depois de instalares a tua última extensão? Provavelmente não, e a culpa não é tua. Estamos tão habituados a confiar nas apps e nas lojas para nos protegerem que já nem lemos os pedidos de permissão do sistema. Mas, a partir do momento em que uma extensão tem esse acesso, não só consegue ler o conteúdo da página como pode enviá-lo para servidores próprios, para análises, registos e sabe-se lá mais o quê (muitas vezes publicidade, ou perfis para publicidade).

Pensa no que esse nível de acesso permite, tecnicamente, seja qual for a extensão que o tem:

  • Abres o Gmail para ver os teus e-mails? Uma extensão com acesso total poderia ler e registar cada um deles.
  • Pesquisas o que é uma erupção cutânea? Essa imagem está numa página que uma extensão com acesso total poderia capturar, tudo em nome da caça às promoções.

Exemplo de problemas de privacidade

Alterar tudo na página

Mais assustador do que ler os teus e-mails e dados médicos: as extensões conseguem mesmo alterar o conteúdo da página. Para coisas como os bloqueadores de anúncios, que removem a publicidade, isto é muito útil, mas é fácil de usar mal, muitas vezes sem intenção. Já viste um site parecer avariado de repente, com imagens que não carregam ou letra grande ou pequena demais para ler, logo depois de instalares uma extensão? Provavelmente há um bug no código dela e, parabéns, o site fica estragado para ti enquanto tiveres a extensão instalada.

Coisas sinistras, muito, muito más

Os donos das lojas de extensões (Google, Microsoft, Apple, Mozilla) procuram malware e submetem quem publica extensões a várias verificações, mas nos últimos anos tem crescido um novo tipo de abuso: vender uma extensão boa e respeitada a gente mal-intencionada. Normalmente, hackers ou simplesmente pessoas sem escrúpulos compram uma extensão já popular e de confiança, instalada em milhões de dispositivos, e com uma atualização minúscula mudam o código para roubar os teus dados, números de cartão de crédito ou o que quer que tenhas no navegador.

Aqui está uma extensão maliciosa a ler e-mails

Nada disto quer dizer que as extensões de navegador são uma coisa má. Muitas até valem mesmo a pena, como os bloqueadores de anúncios, que não bloqueiam só os anúncios irritantes, mas também os maliciosos. O objetivo aqui é explicar como as extensões funcionam de facto, porque a maioria das pessoas não sabe. Garantir que as pessoas podem confiar na nossa extensão foi a principal razão para a abordagem e o design diferentes que escolhemos, e que descrevo abaixo.

Não, não sabem. Aqui, cookie stuffing (literalmente, «rechear de cookies») significa roubar ou alterar aqueles pequenos pedaços de código que vivem no teu navegador e se chamam «cookies» (sim, os de tantos banners). Mas porque é que isto importa? Mais uma vez, tudo se resume à confiança, mas desta vez à confiança que as marcas depositam em bloggers, influencers das redes sociais e, no fim de contas, em extensões de compras como a Phia.

Quando um blogger, um influencer, um site de análises ou um assistente de compras recomenda um produto, usa um link especial. Se clicares nele e comprares o produto, a marca diz «Obrigado por nos trazeres um cliente» e paga a quem o recomendou uma pequena percentagem da venda (uma comissão). Na moda, costuma ser 6-20%, o que não é pouco. O cookie é como um recibo digital que prova quem te apresentou à marca.

Agora, a parte importante: quase todos os programas de afiliados pagam segundo a atribuição ao último clique. Quem tiver o cookie no teu navegador no momento do pagamento fica com a comissão inteira, sem perguntas. É uma regra simples, e é precisamente essa simplicidade que a torna vulnerável. Não é preciso ter sido quem te deu a conhecer o produto: basta ser o último cookie a ficar de pé.

O cookie stuffing faz batota com este sistema do princípio ao fim.

Em vez de ganhar uma comissão honestamente, uma app ou extensão de compras «recheia» discretamente o teu navegador com os próprios cookies, nos bastidores.

1. Visitas uma loja: vais pagar a um site como o da Zara ou da Asos.

2. A app age às escondidas: mesmo que não tenhas clicado em nenhum cupão nem link, a extensão de compras que corre em segundo plano abre em segredo separadores ocultos que mal consegues ver. Lembras-te daquele separador minúsculo a carregar, no canto superior esquerdo, que aparece e desaparece de repente? Achaste estranho? Pois, é assim que o cookie stuffing acontece.

3. A app fica com os louros: força o próprio código de rastreio no teu navegador. Se lá estava o cookie de um influencer trabalhador que te recomendou mesmo o produto, a app apaga-o e substitui-o.

A análise da Bloomberg concluiu que a ferramenta podia ficar com o crédito de vendas que não gerou.

E eu com isso? Ninguém me está a roubar.

Se o preço da peça fica igual, podes perguntar-te porque é que o cookie stuffing te deve importar. Pois bem, é aqui que entra a confiança. Escândalos como o da Phia destroem a confiança que as marcas e as lojas depositaram nas próprias ferramentas. Não só porque deixam mal a marca, mas porque muitas vezes abriste o site da Nike por tua iniciativa e, mesmo assim, há uma extensão que tenta ficar com o crédito, o que custa milhões de dólares às marcas. Já vimos como isto pode ser destrutivo quando as marcas deixam de confiar nas plataformas (lembras-te do «adpocalypse» do YouTube?).

Isto acabará por obrigar as marcas a reduzir as promoções online e, no fim, impedir-nos de apanhar boas pechinchas. Algumas já começaram a afastar-se de extensões como o Honey, com um enorme efeito em cascata que acaba por fazer subir os preços para todos nós. Outras estão a ponderar deixar de vez de trabalhar com extensões de promoções e tentam decidir à pressa o que fazer a seguir.

Há também o problema ético e moral, sobretudo quando o cookie stuffing rouba outros criadores de conteúdo que trabalharam muito e dependem da comissão de afiliado como principal e única fonte de rendimento. Imagina que a tua criadora preferida de looks do dia deixa de conseguir publicar porque as parcerias com marcas acabaram e já não consegue pagar as contas. Doloroso e, sinceramente, irritante. As extensões de navegador apanhadas ou acusadas disto já faturavam milhões, segundo o que foi noticiado, e mesmo assim decidiram fazê-lo (alegadamente).

O que torna o Clottr diferente?

Olhámos para o estado das extensões de compras e dissemos: tem de haver uma forma melhor. Primeiro a privacidade, depois a forma como pensamos resolver a questão dos afiliados e para onde achamos que o setor caminha.

Privacidade

Talvez por estarmos na UE, ou por eu ter trabalhado numa grande tecnológica (e saber bem quantos dados toda a gente recolhe), a privacidade é uma prioridade absoluta para mim. Foi por isso que, ao começar a construir a app do Clottr e a extensão de navegador, garanti que recolhemos apenas o que precisamos, e só depois de nos dares autorização. Não porque a lei ou as regras o exijam (já vimos outros desrespeitá-las muitas vezes), mas porque quero conquistar a tua confiança.

A extensão de navegador: só lemos o conteúdo dos sites que autorizaste explicitamente. Para isso, criámos várias camadas (como as cebolas):

  1. A nossa extensão nunca trabalha em segundo plano. Para quê? Que razão teria uma extensão de compras para verificar sites em segundo plano? Se estás mesmo a fazer compras, basta abri-la para veres a análise completa e os resultados. Nunca percebi porque é que algumas extensões o fazem, por isso a nossa não faz.
  2. Depois de a abrires, continuamos sem tocar, ler ou sequer pensar no conteúdo do site até o aprovares explicitamente. É um pouco mais chato e menos automático? É. Mas, sem aprovação explícita, ficamos demasiado perto de ler e-mails por acidente, e não gosto disso. Se quiseres retirar a aprovação, bastam dois cliques e pronto: deixamos de conseguir ler esse site.
  3. Extensão aberta, site aprovado (digamos, a COS), ótimo. Mesmo assim, não fazemos nada. Porque haveríamos de fazer alguma coisa sem uma ação explícita tua?
  • Queres saber se aquela camisa vale a compra? Clica na sobreposição da imagem e faz a verificação «Devo comprar?»
  • Queres experimentar o casaco? Clica no botão de prova para veres como te fica. Fora isso, não enviamos NENHUNS dados para LADO NENHUM.

A app e os teus dados: como estamos na UE, o RGPD é uma das leis mais assustadoras e, ao mesmo tempo, melhores que temos de cumprir. Cria muitas dificuldades às empresas, mas acredito que, aqui, nos ajuda a reforçar ainda mais a privacidade e a confiança.

  • Precisamos das tuas imagens para processar as provas virtuais, os dados do guarda-roupa e cada pedido, mas seguimos as diretrizes de arquitetura empresarial mais rigorosas em privacidade e segurança de dados (afinal, quando trabalhava em arquitetura empresarial, era eu quem as escrevia). Verificamos todos os nossos fornecedores e locais de armazenamento: acessos por camadas, bem fechados, com encriptação em trânsito e em repouso. É demais? Nunca. Não existe segurança a mais nem verificações a mais.
  • Dados mínimos, que podes apagar a qualquer momento. Fizemos o possível para desenhar a app de modo a precisar do mínimo de dados teus para funcionar e ser útil. Queres exportá-los, apagá-los e mudar para outra app de guarda-roupa? Sem problema, tornámos isso muito simples. Prender as pessoas não é forma de fazer negócio, e se alguém te disser que não é possível exportar, é só preguiça e ganância.
  • Nada de treinar IA com os teus dados. Nada de vender os teus dados. Ponto final. Não há mais nada a dizer.

Isto é o que eu chamo privacidade e, sinceramente, é o que espero de qualquer extensão, programa ou assistente.

Marketing de afiliados: o plano

É uma discussão que toca no centro da nossa app. «Preencher as lacunas», «Devo comprar?» e os alertas de promoções são funcionalidades que te beneficiam se encontrarmos opções mais baratas ou descontos ativos. Mas temos de ter cuidado, por causa da confiança. Confias que cada análise que fazemos é verdadeira, rigorosa e NÃO influenciada por possíveis receitas de afiliados. É por isso que estamos a trabalhar ativamente em duas abordagens únicas, que não vimos em mais lado nenhum, para garantir exatamente isso. Fazemos figas para, em breve, termos mais para revelar sobre este plano.

Atribuição de afiliados comprovável

Só há uma forma de garantir a 100% que uma compra de afiliado aconteceu graças a quem a recomendou: pagar a peça diretamente através dessa plataforma. Em vez de pagares no site da Zara, introduzirias os teus dados de pagamento no Clottr (como no Apple Pay ou no Link), e nós guardá-los-íamos em segurança. Depois, pagaríamos à Zara, à COS, à Nike ou onde quisesses, com um único clique. Isto ajuda-te de várias formas:

  • Os teus dados de pagamento não andam por aí: o Clottr trata disso e assume os riscos
  • Nada de gerir vários carrinhos, entregas e moradas
  • Reembolsos? Pelo Clottr, mais simples e num só sítio
  • Mas, acima de tudo, a marca sabe com certeza de onde veio a comissão de afiliado e para onde a deve enviar. De forma comprovável, garantida pelo pagamento. Nem o cookie stuffing nem outras receitas de pastelaria conseguem mudar isso.

Fazer as coisas desta forma abre, aliás, a porta a outro bónus, ainda melhor, para ti.

Tudo com desconto. Sempre!

Lembras-te da comissão de 6-20% de que falei no início deste texto? Se conseguirmos garantir a origem do afiliado e o pagamento passar por nós, torna-se muito fácil para nós devolver-te esse valor. Afinal, é a própria app que nos sustenta, e isso permite-nos devolver-te as receitas de afiliados.

Esta é a parte mais importante e a que mais me entusiasma. Qual é a melhor forma de garantir que somos imparciais nas verificações «Preencher as lacunas» e «Devo comprar?»? Nunca recebermos comissões por te recomendarmos peças. Assim, os 6-20% que receberíamos de comissão passam para ti, e vês o desconto de imediato no ecrã de pagamento. Não mais tarde, não quando o recebermos: de imediato.

Por isso, com o Clottr não só poupas dinheiro ao não comprares coisas de que não precisas. Vais simplesmente ter descontos que mais ninguém no mundo consegue ter. A app paga-se a si própria com umas quantas peças que querias e não compraste por nossa causa. E os outros descontos de comissão que vamos oferecer? Ganho puro para ti.

Algumas reflexões

Todo o setor das extensões de afiliados está habituado a forçar os limites da privacidade, da recolha de dados, do cookie stuffing e do roubo de atribuições, tudo para meter mais uns pontos percentuais de comissão nas receitas. Nós invertemos o modelo e passamos essas comissões para ti, para nunca sequer sermos tentados a cometer o mesmo erro que os outros.

As acusações de cookie stuffing referidas neste texto baseiam-se no excelente trabalho de investigação da Bloomberg.


Queres pô-lo à prova numa compra que estás a ponderar? Percorre-a passo a passo com o nosso guia «Devo comprar?», ou vê a página da funcionalidade Compras sem arrependimento para conheceres tudo. Para saberes mais sobre como construir um guarda-roupa em que cada peça merece o lugar na rotação, lê como deixei de comprar roupa que nunca uso e a Edição 01: O alinhamento.

Menos palpites. Mais looks.

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